Performance poderosa, diz editora do Rotten Tomatoes sobre Fernanda Torres

Desde que saíram as nomeações para o Oscar 2025, em janeiro, o Brasil foi tomado pelo clima de Copa do Mundo. Todo brasileiro virou cinéfilo, com direito a opinião sobre figurino, fotografia, atuação e todas as demais categorias da premiação mais badalada do audiovisual mundial.

E, nesse processo, muitos sites estrangeiros se tornaram termômetros informais das chances de Fernanda Torres e do filme “Ainda Estou Aqui” no prêmio. O Rotten Tomatoes é um deles.

Como não poderia deixar de ser, os brasileiros não param de checar o site para saber qual a avaliação de “Ainda Estou Aqui” e compará-la com a dos filmes concorrentes.

O filme brasileiro tinha, em 20 de fevereiro, avaliação de 96% entre os críticos, com 130 resenhas, e de 97% entre o público, com mais de 250 avaliações certificadas.


Pontuação de "Ainda Estou Aqui" no site Rotten Tomatoes
Pontuação de “Ainda Estou Aqui” no site Rotten Tomatoes • Reprodução

E o que diz a editora de prêmios do Rotten Tomatoes sobre o filme de Walter Salles?

“Eu adorei”, diz Jacqueline Coley em entrevista por videoconferência à CNN. “Eu já conhecia a Fernanda Torres porque conhecia a mãe dela [Fernanda Montenegro]. “’Central do Brasil’ foi uma das primeiras decepções no Oscar que me deixou realmente chateada”, diz a editora sobre a derrota da película brasileira, também dirigida por Walter Salles, na disputa do Oscar de 1999.

E, na conversa com a CNN, Jacqueline se mostra conhecedora da família Torres, citando “O Beijo da Mulher Aranha”, de Fernando Torres (pai de Fernanda Torres). “Acho incrível que essa linhagem nessa família seja tão profunda, que eles sejam todos cineastas, muito dedicados ao seu ofício”, diz.

Sobre “Ainda Estou Aqui”, Jacqueline elogia Fernanda Torres: “É uma performance tão poderosa e eu não sabia nada sobre o assunto, então me vi muito educada sobre a ocupação militar no Brasil”.

Diversidade no Oscar

A presença de filmes falados em outras línguas que não o inglês na categoria principal do Oscar – além de “Ainda Estou Aqui”, falado em português, concorre “Emilia Pérez”, falado em espanhol – tem sido acompanhada de bons reviews no site americano.

“Os filmes em línguas não inglesas são frequentemente muito avaliados no Rotten Tomatoes. Os cinéfilos estão mais interessados em ver filmes com legendas, em diferentes idiomas, independentemente de sua origem, e acho que isso é um reflexo do fato de que eles descobriram que há um mundo de cinema que eles podem ter perdido, para citar o discurso de aceitação de Bong Joon-ho [diretor de “Parasita”], devido à barreira de uma polegada das legendas. Então, é um bom momento, para o cinema”, opina Jacqueline.

“Acho que quase 1/5 dos membros da Academia são baseados internacionalmente, então sim, houve aumento de diversidade, e isso foi refletido nas indicações”, conta.

Como funciona o Rotten Tomatoes

Criado em 1998, o site cresceu de um projeto pequeno para uma marca global, adaptando-se às mudanças na indústria do entretenimento, como a inclusão da cobertura de shows de televisão e a introdução de novas métricas de avaliação.

No site, os usuários podem acompanhar em tempo real a avaliação de filmes e atores. Há dois tipos de avaliação: a feita pela crítica especializada, o chamado “Tomatometer” (tomatômetro), e a avaliação feita pelo público em geral, o “Popcornmeter” (pipocômetro).

“Perguntar qual dos dois índices é mais relevante é, na verdade, como perguntar a alguém se eles gostam de um dia de 13ºC. Para algumas pessoas, 13 ºC é um dia de clima perfeito. Para outras pessoas, não é. E realmente depende”, diz Jacqueline Coley.

Na avaliação do público, qualquer usuário pode se logar e fazer um review, desde que em inglês. Mas usuários verificados, que possam comprovar que comprovaram ingressos, tornam-se verificados e ganham mais relevância.

Jacqueline Coley, além de editora do Rotten Tomatoes, apresenta o podcast “Award Tour Podcast”. Ela é membro da Critics Choice (CCA) e da Associação de Críticos de Filme Afro Americanos (AAFCA).

E qual a aposta dela para Melhor Filme no Oscar? Jacqueline colocaria seu dinheiro em “Anora”, mas diz que o jogo está aberto. Se depender da torcida brasileira, o caneco, ops, a estátua é nossa.

Saiba como será a cobertura do Oscar na CNN Brasil:
https://www.youtube.com/watch?v=3DztclUO7_M

Quem foi Eunice Paiva, personagem de Fernanda Torres em “Ainda Estou Aqui”

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