Romênia inicia inquérito criminal contra candidato presidencial de ultradireita

Promotores da Romênia disseram nesta quarta-feira (26) que iniciaram uma investigação criminal contra Calin Georgescu, o candidato de ultradireita favorito na eleição presidencial cancelada do ano passado, por várias acusações, incluindo promoção do antissemitismo.

O pleito foi anulado em dezembro por conta da suspeita de interferência da Rússia em favor de Georgescu, um forte crítico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e do apoio ocidental à Ucrânia. Moscou negou as acusações de intromissão na eleição.

Promotores iniciaram uma investigação criminal após o cancelamento em meio a acusações de irregularidades que vão desde fraude de financiamento de campanha e promoção do antissemitismo e discurso de ódio a atos contra a ordem constitucional.

Após interrogar Georgescu por várias horas, os agentes disseram que o estavam investigando formalmente por acusações de formação de uma organização antissemita, promoção de criminosos de guerra e organizações fascistas e comunicação de informações falsas.

Georgescu, que negou todas as irregularidades, acusou as autoridades de comportamento que lembra o passado comunista da Romênia.

“O sistema comunista bolchevique continua seu abuso hediondo”, escreveu Georgescu em sua conta do Facebook. “Eles estão tentando inventar evidências para justificar o roubo da eleição e fazer qualquer coisa em seus esforços para bloquear uma nova candidatura minha.”

Cerca de 100 apoiadores de Georgescu se reuniram em protesto do lado de fora da sede dos promotores na capital Bucareste, gritando “unidade nacional”, acompanhados por membros ultranacionalistas do parlamento.

Os apoiadores aplaudiram e gritaram o nome de Georgescu quando ele saiu do prédio. Ele agora estará sob controle judicial por 60 dias, uma medida que significa que ele será obrigado a se apresentar à polícia em intervalos regulares.

Invasões

Os promotores também disseram na que executaram 47 mandados de busca e apreensão em endereços de pessoas e associações conectadas a Georgescu.

Entre eles estava Horatiu Potra, um ex-membro da Legião Estrangeira Francesa e contratado militar na República Democrática do Congo, cuja empresa de segurança fornece guarda-costas para Georgescu. Os promotores disseram que um grande estoque de armas e dinheiro escondido foi encontrado durante a operação.

Sua equipe de comunicação disse em uma publicação nas redes sociais que as autoridades prenderam Georgescu para interrogatório no dia em que ele pretendia apresentar sua candidatura para uma nova eleição presidencial, marcada para maio.

“Onde está a democracia agora, onde estão os parceiros que deveriam defender a democracia?”, dizia a publicação.

Membros do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, criticaram duramente a Romênia por anular sua eleição. O vice-presidente americano, JD Vance, disse que o cancelamento significava que a Romênia não compartilha os valores americanos, enquanto o bilionário Elon Musk rotulou o juiz chefe do tribunal superior que anulou a votação de “tirano”.

“Eles acabaram de prender a pessoa que ganhou mais votos na eleição presidencial romena”, disse Musk em sua plataforma de mídia social X na quarta-feira, repetindo falsas alegações de que Georgescu havia sido preso. “Isso é uma bagunça.”

Georgescu elogiou os líderes fascistas da Romênia dos anos 1930 como patriotas e mártires e expressou admiração por Trump e pelo presidente russo Vladimir Putin. Ele continua sendo a principal escolha dos eleitores nas pesquisas de opinião antes da reeleição de maio, embora ainda não esteja claro se ele poderá concorrer.

A Guarda de Ferro da Romênia foi um movimento e partido de ultradireita que foi fundado em 1927 e se tornou conhecido por assassinatos políticos e antissemitismo violento.

Sob a legislação romena atual, promover líderes fascistas e símbolos nazistas, racistas ou xenófobos é proibido e acarreta pena de prisão, embora os casos raramente tenham chegado ao tribunal antes da eleição anulada.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Romênia inicia inquérito criminal contra candidato presidencial de ultradireita no site CNN Brasil.

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