Dólar abre em alta com mercado de olho em desemprego no Brasil, PIB dos EUA e tarifas de Trump


No dia anterior, a moeda norte-americana subiu 0,83%, cotada a R$ 5,8025. Já o principal índice da bolsa de valores brasileira recuou 0,96%, aos 124.769 pontos.
Cris Faga/Dragonfly/Estadão Conteúdo
O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (27), com diversos fatores nacionais e internacionais no radar dos investidores.
No Brasil, o destaque fica com novos números do mercado de trabalho, divulgados pelo IBGE nesta manhã.
Além disso, investidores também repercutem o resultado das contas externas do Brasil, que tiveram déficit em janeiro, ao passo que o investimento estrangeiro teve queda, segundo o Banco Central (BC).
No exterior, o mercado aguarda a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2024 dos Estados Unidos e repercute as últimas falas do presidente Donald Trump, que ameaçou taxar as importações da União Europeia que chegam ao país em 25%.
Veja abaixo o resumo dos mercados.
Em meio a decretos de Trump elevando tarifas, veja principais itens do comércio entre Brasil e EUA e as tarifas cobradas
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
Dólar
Às 09h05, o dólar subia 0,09%, cotado a R$ 5,8079. Veja mais cotações.
No dia anterior, a moeda americana teve alta de 0,83%%, cotada a R$ 5,8025.
Com o resultado, acumulou:
alta de 1,26% na semana;
recuo de 0,59% no mês; e
perdas de 6,10% no ano.

a
Ibovespa
Já o Ibovespa recuou 0,96%, aos 124.769 pontos.
Na véspera, o índice teve baixa de 0,96%, aos 124.769 pontos.
Com o resultado, o Ibovespa acumulou:
queda de 1,86% na semana;
perdas de 1,08% no mês;
alta de 3,73% no ano.

O que está mexendo com os mercados?
O destaque desta quarta-feira ficou com os novos números de emprego divulgados pelo Ministério do Trabalho. Segundo a pasta, o Brasil gerou 137,3 mil empregos formais em janeiro deste ano. O resultado representa uma queda de 20,7% em relação a janeiro do ano passado (173,2 mil vagas), mas ainda foi três vezes maior do que o esperado pelo mercado.
Além da espera pelos números, as preocupações com a inflação e com o quadro fiscal brasileiro continuam no radar dos investidores, que repercutem o noticiário dos últimos dias.
Segundo o IBGE, o IPCA-15, que é a prévia da inflação oficial, registrou um aumento de 1,23% dos preços em fevereiro. Apesar de o índice ter vindo abaixo do esperado pelo mercado (1,34%), o número ainda representa uma forte aceleração em relação a janeiro (0,11%).
Além disso, com o resultado, o IPCA-15 passou a acumular uma alta de 4,96% em 12 meses, bem acima da meta do Banco Central do Brasil (BC), que é de 3% e tem um intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
De acordo com a economista-chefe da B.Side investimentos, Helena Veronese, o resultado mostra uma pressão de fatores sazonais já esperados pelo mercado, mas ainda indica uma continuidade no ciclo de alta da taxa básica de juros (Selic) do país.
“O que o dado nos mostra é que 15% parece de fato um valor razoável para a Selic de fim do ciclo. Além disso, se os movimentos de queda de alimentos continuarem e se não houver grandes preocupações adicionais com o fiscal, é possível que em algum momento do segundo semestre já se comece a discutir o início dos cortes na taxa de juros”, afirmou a economista em nota oficial.
Com isso, também seguem no radar as falas recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em meio a preocupações com as contas públicas.
Na véspera, Lula trouxe algumas medidas na tentativa de aumentar a popularidade do governo. Além de medidas do programa Pé-de-Meia e do Farmácia Popular, um novo anúncio sobre o saque-aniversário do Fundo de Garantia sobre o Tempo de Serviços (FGTS) também é esperado para amanhã.
Lula também falou, recentemente, sobre sua intenção de baixar o preço dos alimentos e sobre enxergar um crescimento melhor do que o esperado para a economia.
Já o Haddad afirmou, na véspera, que “não existe um ajuste fiscal possível” caso a economia não cresça, destacando que os desafios fiscais e a necessidade de investimentos públicos não serão resolvidos apenas com o arcabouço fiscal.
Haddad também afirmou ser “politicamente difícil” corrigir desequilíbrios fiscais, reforçando que a determinação do presidente Lula é que a equipe econômica encontre o equilíbrio das contas públicas sem penalizar a população mais pobre.
Balanços corporativos também ficaram sob os holofotes nesta sessão, bem como os desdobramentos da política tarifária de Trump nos Estados Unidos.

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