Governo estuda aumentar cotas de importação do trigo para baratear preços

O governo federal estuda ampliar as cotas de importação de trigo com isenção de impostos para tentar reduzir os preços ao consumidor.

A medida, segundo fontes do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Agrário, é apenas um dos debates que estão em andamento no Executivo para fazer o preço dos alimentos cair.

No entanto, quadros dos ministérios apontam que os debates são iniciais e ainda não foram apresentados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O trigo é historicamente um dos insumos mais importados pelo Brasil. Só em 2024, entraram no país 6,6 milhões de toneladas, movimentando R$ 1,63 bilhão.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o aumento das cotas poderia ajudar a reduzir o preço do pãozinho e do macarrão – este último, um dos itens da cesta básica.

No entanto, a avaliação é de que a mudança não teria tanto impacto no bolso do consumidor, porque o trigo já tem isenção de impostos quando importado do Mercosul e representa a maior parte do consumo nacional.

Além disso, há uma cota de isenção para 500 mil toneladas de importação de outros países. O imposto de 9% só é aplicado quando esse limite é ultrapassado.

Por exemplo, a Argentina envia cerca de 64% do insumo para o Brasil, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O Uruguai, 11,9%; e o Paraguai, 7,28%. Outros países que também vendem trigo ao país são Rússia (9,87%), Estados Unidos (5,93%) e Canadá (0,96%).

O impacto seria mínimo, segundo as fontes ouvidas pela reportagem, mas abre margem para negociações sobre outros insumos e mostra que o governo está “empenhado” em fazer algo.

A maior preocupação, no entanto, é com produtos que compõem a cesta básica, como feijão, arroz e carne – esta última teve uma alta de 20,84% em 2024, segundo o IBGE, a maior em cinco anos.

Reduzir as alíquotas de importação sobre alimentos que estejam mais caros no mercado interno do que no exterior já foi apontado pelo governo como uma das medidas possíveis para combater a inflação no país.

No entanto, o Congresso Nacional insurgiu-se contra e fez com que o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, desistisse da ideia.

Outra discussão foi a criação de uma cota sobre exportações, que restringiria parte dos produtos enviados ao exterior, e um imposto para o que excedesse esses volumes máximos.

Produtos como carne bovina, ovos, açúcar e café — todos em alta no mercado doméstico — poderiam ser alvo da medida.

Três ministérios se voltaram contra a hipótese: Agricultura, Fazenda e MDIC.

Segundo fontes ouvidas pela CNN, Carlos Fávaro foi o mais enfático nas discussões e disse que pediria demissão caso o governo adotasse “me­didas extravagantes” para baixar o preço dos alimentos.

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Este conteúdo foi originalmente publicado em Governo estuda aumentar cotas de importação do trigo para baratear preços no site CNN Brasil.

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