Oscar 2025: campanha marcada por polêmicas teve altos e baixos; relembre

A corrida pelo Oscar 2025 se encerra neste domingo (2), quando a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas revelará os vencedores da 97ª edição da principal premiação do cinema mundial. Costumeiramente disputada, com direito a lobby e muita especulação, a campanha ganhou ares ainda mais polêmicos neste ano, com filmes e estrelas sofrendo ataques que modificaram as expectativas para a abertura dos envelopes.

Dessa vez, tivemos filmes sendo criticados pelo uso de inteligência artificial, fãs revirando o passado de atrizes indicadas para enfraquecê-las na campanha, farpas entre concorrentes e críticas a forma como os longas retrataram seus temas.

A revelação dos vencedores acontecerá no Dolby Theatre, em Hollywood, com transmissão ao vivo no Brasil pela TV Globo, TNT e Max, a partir das 21h (horário de Brasília). Confira a lista completa de indicados deste ano.

 

 

Relembre abaixo as principais polêmicas da corrida pelo Oscar 2025

Karla Sofía Gascón deixada de lado pela Netflix

A polêmica com a atriz surgiu após a jornalista Sarah Hagi compartilhar prints de antigas publicações de Gascón nas redes sociais, nas quais ela critica a cultura muçulmana, o caso de George Floyd e o próprio Oscar.

Em entrevista para Juan Carlos Arciniegas da CNN, Gascón – que fez história ao ser a primeira pessoa abertamente trans a ser indicada para um Oscar em uma categoria de atuação, ofereceu mais uma vez “as mais sinceras desculpas a todas as pessoas que possam ter se sentido ofendidas“

Gascón, que desativou seu perfil no X, antigo Twitter, após a polêmica, se desculpou nesta semana pelas postagens. “Eu quero abordar o assunto das minhas antigas e danosas publicações nas redes sociais”, disse a atriz em comunicado enviado para a CNN. “Como integrante de uma comunidade marginalizada, eu conheço esse sofrimento bem demais e me arrependo profundamente de ter causado dor. Por toda a minha vida eu lutei por um mundo melhor. Eu acredito que a luz sempre prevalecerá contra a escuridão.”

Em uma dessas publicações, originalmente escrita em espanhol, Gascón comentou o caso de George Floyd, que morreu em 2020 após abordagem da polícia em Minneapolis. “Eu realmente acredito que poucos se importaram com George Floyd, um golpista viciado em drogas”, escreveu ela na época.

A atriz também criticou a cerimônia do Oscar de 2021, que ocorreu durante a pandemia da Covid-19. “Os #Oscars estão cada vez mais parecendo uma cerimônia de premiação de cinema independente e vingativa, eu não sabia se estava assistindo a um festival afro-coreano, uma manifestação do Black Lives Matter ou ao 8 de Março”, escreveu na época da premiação.

KSG chegou, inclusive, a criticar a equipe de Fernanda Torres, 59, que atua em “Ainda Estou Aqui” e também concorre na categoria de Melhor Atriz ao lado da espanhola.

Karla Sofía Gascón chegou a ser afastada de todas as ações promocionais e participações em eventos da temporada de prêmios de “Emilia Pérez“. A informação foi divulgada pelo The Hollywood Reporter.

Fragilidades de “Emilia Pérez”

O diretor francês Jacques Audiard, responsável pela produção, gerou controvérsias ao revelar que não realizou pesquisas sobre o México para compor a história.

Além disso, o título foi criticado por não abordar de forma sensível algumas questões complexas da sociedade mexicana e conta com um elenco majoritariamente estrangeiro, o que intensificou as críticas sobre a falta de representatividade.

Audiard decidiu se manifestar sobre essas questões. Durante uma entrevista na Cinemateca Nacional do México, ele pediu desculpas pelos possíveis equívocos.

“Se algo em ‘Emilia Pérez’ parece escandaloso para vocês, peço desculpas. Mas quero dizer que não estou tentando dar respostas”, declarou. “O cinema não oferece respostas, apenas levanta perguntas. Talvez as questões trazidas por ‘Emilia Pérez’ estejam erradas, mas eu as achei interessantes. Não quis, nem quero, ser pretensioso”.

As críticas mais notáveis no México sobre o filme vieram de Eugenio Derbez (ator de “Overboard”). Durante a sua participação no podcast Hablando de Cine, Eugenio Derbez e a apresentadora Gaby Meza criticaram a atuação e interpretação em espanhol de Selena Gomez.

“O espanhol não é sua língua primária, nem secundária, nem a quinta. E é por isso que sinto que ela não sabe o que está dizendo, e se ela não sabe o que está dizendo, ela não pode dar nenhuma nuance à sua atuação. […] Seu desempenho não é apenas pouco convincente, mas desconfortável”, disse a apresentadora. 

“Estou feliz que você esteja dizendo isso porque eu estava pensando: ‘Não acredito que ninguém está falando sobre isso?’”, respondeu Derbez.

“Selena é indefensável. Eu estava lá [assistindo ao filme] com as pessoas, e toda vez que aparecia uma cena [com ela], nos entreolhamos e dissemos: ‘Uau, o que é isso?’”, continuou o diretor. 

Uso de IA

“Emilia Pérez” também foi criticado pelo uso de inteligência artificial (IA) no longa, a exemplo do que ocorreu com “O Brutalista”. Dávid Jancsó, editor do segundo filme, revelou ao RedShark News que usou tecnologia de IA nos diálogos em húngaro dos atores Adrien Brody e Felicity Jones.

Jancsó, que é falante nativo de húngaro, explicou que utilizou um software sintetizador para adicionar sua voz aos atores, garantindo que a pronúncia estivesse precisa.

“A maior parte dos diálogos em húngaro inclui uma parte da minha fala. Fomos muito cuidadosos em manter as performances deles“, explicou. “É basicamente substituir algumas palavras aqui e ali. Você pode fazer isso no ProTools por conta própria, mas tínhamos tanto diálogo em húngaro que precisávamos agilizar o processo, ou ainda estaríamos na pós-produção.”

Outros filmes indicados ao prêmio este ano, como “Um Completo Desconhecido” e “Duna: Parte 2“, também anunciaram o uso de inteligência artificial, o que tem reforçado o debate sobre a necessidade de transparência obrigatória quanto a essa tecnologia.

Falta de coordenador de intimidade

A atriz norte-americana Mikey Madison, 25, revelou que “Anora” não contou com um coordenador de intimidade nas gravações de cenas de sexo, mas por opção sua. Ela falou sobre o assunto em conversa com Pamela Anderson no quadro Actors on Actors.

Foi uma escolha que fiz. A produção me ofereceu, se eu quisesse, um coordenador de intimidade. Mark Eydelshteyn, que interpreta Ivan no filme, e eu decidimos que seria melhor manter ‘pequeno’ com a gente, Sean Baker [diretor] e Samantha Quan [produtora]. Conseguimos filmar super rápido. Foi uma experiência muito positiva para mim”, afirmou

“Além disso, minha personagem é uma profissional do sexo, e eu já tinha visto os filmes de Sean e conheço sua dedicação à autenticidade. Eu estava pronta para isso. Como atriz, encarei isso como um trabalho”, continuou. 

O coordenador de intimidade tem a função de checar se as cenas de sexo acontecem de forma respeitosa e consensual e ganhou força após o #MeToo, movimento contra o assédio sexual nos sets de gravação que surgiu após a eclosão de uma série de denúncias.

Blackface de Fernanda Torres

A atriz Fernanda Torres pediu desculpas publicamente por ter utilizado blackface em uma cena exibida pelo programa Fantástico há quase 20 anos. A cena, que voltou a circular na internet, mostra a vencedora do Globo de Ouro interpretando uma empregada doméstica, com o corpo pintado de preto.

“Há quase 20 anos, eu apareci usando blackface em uma esquete de comédia de um programa de TV brasileiro. Lamento imensamente por issoEstou fazendo essa declaração porque é importante para mim abordar isso rapidamente para evitar mais dor e mal entendido“, afirmou a estrela em uma declaração enviada ao portal Deadline.

A atriz explicou que, na época, a compreensão pública no Brasil sobre a conotação racista e o peso histórico do “blackface” – quando pessoas brancas se pintam de preto para interpretar papéis de pessoas negras -, era limitada.

“Naquela época, apesar dos esforços dos movimentos e organizações negras, a consciência sobre a história racista e o simbolismo do blackface ainda não havia alcançado o entendimento do público geral no Brasil. Graças a uma melhor compreensão cultural e conquistas importantes, embora incompletas, neste século, está muito claro agora em nosso país e em todos os lugares que o blackface nunca é aceitável“, pontuou.

*Com informações de Marina Toledo, da CNN; Flávio Pinto, em colaboração à CNN; e da Bang Showbiz

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Este conteúdo foi originalmente publicado em Oscar 2025: campanha marcada por polêmicas teve altos e baixos; relembre no site CNN Brasil.

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