Juros futuros fecham em alta em dia de ata do Copom

Após oscilarem em baixa durante a manhã, as taxas dos DIs ganharam força e se firmaram em alta durante a tarde, com o mercado avaliando que a ata do último encontro do Copom trouxe uma visão dura para o cenário de inflação, em um dia marcado ainda pela queda firme do dólar ante o real.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2026 — um dos mais líquidos no curto prazo — estava em 15,125%, ante o ajuste de 15,024% da sessão anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 marcava 15,03%, em alta de 14 pontos-base ante o ajuste de 14,889%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 14,83%, ante 14,737% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 14,82%, ante 14,731%.

No início do dia o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou a ata do encontro da semana passada, quando subiu a taxa Selic em 100 pontos-base, para 14,25% ao ano, sinalizando a intenção de promover novo aumento em maio — desta vez de menor intensidade.

No documento, o BC citou a elevada incerteza e reforçou que o ciclo de alta de juros não está encerrado. A ata pontuou ainda que “o cenário de convergência da inflação à meta torna-se mais desafiador com expectativas desancoradas para prazos mais longos e exige uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”.

Para profissionais ouvidos pela Reuters, a ata foi “hawk” (dura com a inflação), o que contribuiu tanto para a queda do dólar ante o real quanto para a baixa das taxas dos DIs durante a manhã.

“A ata foi mais dura, reforçando o comunicado. O BC explicou seu racional e, para mim, conduziu (as apostas) mais para os 75 (pontos-base) de alta em maio que para os 50”, avaliou Laís Costa, analista da Empiricus Research.

“O mercado estava cético se a nova administração daria 75, mas pelo que foi escrito eles parecem dispostos a isso”, acrescentou Costa, em referência ao fato de que o comando do BC é agora de Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Isso acalma um pouco os ânimos e por isso a curva fecha um pouco.”

Outros profissionais ouvidos pela Reuters chamaram a atenção para a queda do dólar ante o real na esteira da divulgação da ata, um fator que colocava pressão de baixa sobre as taxas dos DIs.

A queda dos rendimentos dos Treasuries no exterior era mais um fator para a baixa das taxas futuras no Brasil. Às 11h41, a taxa do DI para janeiro de 2027 atingiu a mínima de 14,81%, com recuo de 8 pontos-base ante o ajuste da véspera.

À tarde, porém, as taxas recuperaram força e se firmaram em alta, com agentes atribuindo a virada a “movimentos normais do dia”, em um cenário ainda de muita incerteza sobre o futuro da Selic.

“A ata do Copom não trouxe muita convicção do que vai acontecer. A gente sabe que devemos esperar mais altas, mas não sabemos até onde isso vai”, pontuou Victor Furtado, head de Alocação da W1 Capital, ao justificar o aumento de prêmios na curva.

Operador da mesa de renda fixa de um banco de investimentos também citou fluxo de estrangeiros “comprando taxa” nos DIs.

Na segunda-feira (24) — portanto, antes da ata –, o mercado de opções de Copom da B3 precificava 67% de probabilidade de alta de 50 pontos-base da Selic em maio, 17% de chances de elevação de 75 pontos-base, 9% de probabilidade de alta de 25 pontos-base, 3,5% de chances de manutenção e apenas 3% de chances de nova alta de 100 pontos-base.

Para a decisão seguinte, de junho, as apostas estão bem equilibradas: 34% de chances de alta de 25 pontos-base, 34% de possibilidade de alta de 50 pontos-base e 27% de chances de manutenção.

“Acreditamos em alta de 75 em maio e de 50 em junho”, disse nesta terça-feira (25) Furtado, da W1 Capital. “A chance de isso acontecer é bem alta.”

Pela manhã, sem impactos na curva, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, lamentou que a reforma tributária aprovada no Congresso Nacional tenha ampliado as exceções para pagamento de impostos, mas disse acreditar que isso poderá ser reavaliado até 2032, quando termina o prazo de transição.

No exterior, no fim da tarde as taxas dos Treasuries seguiam em baixa, após a divulgação de dados fracos sobre a confiança do consumidor e em meio às dúvidas sobre a aplicação de tarifas pelo governo dos EUA no início de abril.

Às 16h44, o rendimento do Treasury de dois anos — que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo — tinha queda de 3 pontos-base, a 4,011%. Já o retorno do título de dez anos –referência global para decisões de investimento — caía 2 pontos-base, a 4,311%.

Maioria dos empreendedores teme cenário econômico em 2025

Este conteúdo foi originalmente publicado em Juros futuros fecham em alta em dia de ata do Copom no site CNN Brasil.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.