‘O maior pesadelo é a desinformação’, diz André Correa do Lago, presidente da COP 30


Embaixador afirmou que divulgar fake news sobre mudança do clima é crime. Côrrea do Lago participou de evento em São Paulo nesta sexta-feira (28). André Correa do Lago, presidente da COP 30
Matheus Campos/Amcham
A menos de oito meses da COP 30, o presidente da conferência, André Côrrea do Lago, destacou que, entre os desafios dos próximos meses, “o maior pesadelo é a desinformação”.
Ao lado do ministro em exercício de Mudança do Clima e Meio Ambiente (MMA), João Paulo Capobianco, e do governador do Pará, Helder Barbalho, Côrrea do Lago participou do COP30 Business Forum, evento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), realizado nesta sexta-feira (28) em São Paulo.
O diplomata afirmou que, até novembro, quando a conferência será realizada em Belém, no Pará, o objetivo é levar informação clara para todos os públicos. Ele reconheceu a própria responsabilidade: “Nós temos um pouco de culpa, nós, que cuidamos desse assunto, às vezes queremos guardar o tema para nós, e acabamos explicando as coisas de maneira muito complicada”.
“Uma das coisas que temos que fazer nos próximos meses é explicar de maneira muito clara, mostrando que as negociações sobre o clima mudaram completamente a economia mundial”.
Além de transmitir dados precisos, o diplomata abordou o desafio de enfrentar as mentiras sobre a crise climática, destacando o papel de liderança do Brasil nesse esforço.
“A COP 30 será uma ocasião muito importante porque o ano passado foi tão triste, em tantos países do mundo, tudo que aconteceu, e no fundo é um crime divulgar desinformação e fake news sobre mudança do clima”, disse André Côrrea ao g1.
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‘COP já está acontecendo’
O diplomata afirmou que a conferência não acontecerá apenas nos 12 dias de novembro, e que o evento já começou.
“A COP de Belém não é só a COP de 12 dias em Belém, a COP já está acontecendo. É por isso que lancei a carta com objetivos para a conferência duas semanas atrás, e haverá outras cartas, prometo que mais curtas. Mas temos que criar um ritmo para chegarmos à COP de Belém com várias ideias bem estruturadas”.
Entre as principais expectativas desta COP, Côrrea do Lago destacou:
Que o maior número de países apresente suas metas da Contribuição Nacional Determinada (NDC, na sigla em inglês), que são planos de ação de cada país que assinou o acordo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) e ajudar a manter o aquecimento global abaixo de 2 °C.
Elaborar o relatório que apresentará propostas de como passar de US$ 300 bilhões por ano para os países mais vulneráveis às mudanças climáticas (acordado na COP em Baku) para US$ 1,3 trilhão.
EUA fora do acordo
André Côrrea do Lago disse também que, apesar do anúncio da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, ele voltou otimista da última visita ao país, pois quase metade dos estados americanos continuará no acordo.
“Quem se retirou foi o governo americano, aliás se retirou, mas formalmente só sai em janeiro de 2026. Então, por um lado, mais de 20 estados americanos estão comprometidos em continuar a seguir as recomendações do Acordo de Paris. E outra coisa que os americanos têm nos dito, as empresas, é que pelo menos dois terços do PIB americano já estariam comprometidos com isso [metas climáticas], seja porque já fizeram imensos investimentos, muitos de longo prazo, muito além de uma gestão, seja porque são empresas multinacionais presentes em países que estão no Acordo de Paris”.
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Criminalidade: principal problema da Amazônia
O embaixador destacou ainda a união entre os países amazônicos para combater um dos principais problemas da região: o aumento da violência e a presença de organizações criminosas.
“Infelizmente, todos que trabalham com a Amazônia e conhecem a região sabem que se tornou um problema gravíssimo, senão o maior problema da Amazônia. Inclusive, já resultou na criação de um centro entre oito países para divulgação de informação entre esses países da área amazônica para o combate ao crime organizado”.
Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou que as mortes violentas na Amazônia são 41,5% acima da média nacional. Além disso, revelou o crescimento do domínio de facções criminosas na região. Para os pesquisadores do estudo, o controle do crime na região não é só um problema de segurança pública. É também um entrave para a eficácia de implementação de novas bioeconomias e estratégias de financiamento climático.
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