Brasil registra 1º caso de paciente infectado por fungo resistente; veja sintomas e como se prevenir


Paciente é um homem de 40 anos apresentou micose persistente depois de viagens pela Europa. Ele apresentou recidivas após interrupção do tratamento. Aspecto das lesões causadas pelo Trichophyton indotineae no paciente
Veasey et al., 2025/Anais Brasileiros de Dermatologia
O Brasil registrou o primeiro caso de infecção pelo fungo Trichophyton indotineae, que apresenta resistência a tratamentos médicos. O registro foi feito em Piracicaba, no interior de São Paulo, em um paciente de 40 anos que fez viagens para Inglaterra, Áustria, Eslováquia, Hungria, Polônia, Escócia e Turquia. A confirmação ocorreu em artigo na revista científica Anais Brasileiros de Dermatologia
O primeiro relato sobre o fungo ocorreu na Índia, mas ele já circula pela Europa, Ásia e América. No entanto, poucos casos foram relatados até o momento, principalmente devido à identificação incorreta e subnotificação, segundo pesquisadores.
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Já o primeiro caso brasileiro foi atendido pela dermatologista Renata Diniz, entre abril e maio de 2024. O quadro era de uma micose persistente na região dos glúteos, da perna, com manchas vermelhas que descamam e coçam, e que não respondiam ao tratamento realizado até então.
“Logo na primeira consulta eu já estranhei, porque era um paciente jovem, com muitas lesões grandes, disseminadas, e que não tinha respondido a tratamentos fúngicos que a gente usa de forma corriqueira. Então, ele já me acendeu um alerta, e aí optei por mudar o tratamento. Ele respondeu com o tratamento mas, logo que ele terminou de tratar, voltaram as lesões”, relata a médica.
Diante de novas recidivas, ela fez contato com o dermatologista John Verrinder Veasey, um dos autores da pesquisa e coordenador do Departamento de Micologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que sugeriu a pesquisa pelo Trichophyton indotineae.
Os médicos acionaram um laboratório especializado do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da Universidade de São Paulo (USP) para a análise, que confirmou o diagnóstico. A confirmação científica foi publicada por pesquisadores na revista científica Anais Brasileiros de Dermatologia, em fevereiro deste ano.
Mancha vermelha na perna de paciente diagnosticado no Brasil
Veasey et al., 2025/Anais Brasileiros de Dermatologia
Resistência a medicamentos⚠️
Segundo a dermatologista que atendeu o caso, o principal alerta é em relação à resistência ao tratamento, pois ele não é um fungo que tem um potencial de risco à vida.
“Ele é um fungo que se desenvolve na pele, não espalha para dentro do corpo, não vai levar a uma deterioração além das lesões cutâneas. O grande problema dele é que essa questão da resistência ao tratamento. De forma geral, ele apresenta essa resistência ao principal antifúngico que a gente usa e ele responde a um outro antifúngico. Mas ele volta a crescer quando para de tratar”, explica a profissional.
Ela observa que não é possível utilizar esses antifúngicos de maneira contínua devido à possibilidade de efeitos colaterais.
Como é o tratamento? 💊🩺
A médica também explica que, além do uso de antifúngico, o tratamento passa pela imunidade do paciente e adaptações na rotina do paciente, como no controle da umidade no local e tipo de roupas que vai usar e vão ter contato com a área, já que os fungos se propagam com a umidade.
Exames micológicos de Trichophyton indotineae
Veasey et al., 2025/Anais Brasileiros de Dermatologia
Como pode ser transmitido? 🧑‍🤝‍🧑
Um dos impactos pode ocorrer na qualidade de vida do paciente, de acordo a dermatologista, pelo risco de transmissão.
“Ele tem um impacto do ponto de vista social, de relações, pela transmissão. Porque tendo um fungo que não tem um tratamento efetivo garantido, existe esse perigo de transmitir para cada vez mais pessoas estarem com o fungo ao qual, por enquanto, não se tem tratamento”, afirma.
Segundo ela, as principais formas de transmissão são pelo contato com outras pessoas ou objetos usados por elas.
“Por exemplo, eu tenho uma micose no pé e no chão ali tem um pouco de umidade. Fica aquela água meio parada e depois você pode pisar em cima e pegar, por exemplo. Ou eu tenho fungo nas mãos, eu lavo a minha mão numa toalha, você vai e lava a sua mão depois na mesma toalha […] Ou pele com pele. É por contato”, alerta.
Como fazer a prevenção? 🛡️
Sobre a prevenção, a profissional diz que são necessários cuidados com a higiene, como no uso de toalhas, por exemplo.
“Uma coisa é você estar dentro de casa, saber que tá todo mundo ali saudável, mas não usar toalhas em locais públicos. Tem sempre um cuidado de onde você está em contato, áreas de maior risco. Fala-se muito de piscinas, sobre os cuidados de vestiário, que são ambientes úmidos, quentes, e que muitas pessoas circulam”.
Ela também aponta a importância do diagnóstico precoce. “Então, viu ali uma manchinha vermelha que coça, procura o dermatologista”.
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