Festival de Curitiba apresenta versão inclusiva de fábula infantil

Festival de Curitiba apresenta versão inclusiva de fábula infantil

A peça narra a história de uma menina CODA, sigla que significa “Child of Deaf Adults” (“Filho(a) de Pais Surdos”, em português), ou seja, uma pessoa ouvinte com um ou ambos os pais surdos. A personagem encontra o “Lobo Surdo”, que não sabe se comunicar por meio de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), ilustrando as dificuldades enfrentadas por pessoas surdas que não têm acesso a essa linguagem. A história se desenrola à medida que Chapeuzinho e o público descobrem a língua de sinais. A peça ensina palavras e expressões em Libras, e a atriz surda Lyvia Cruz, que interpreta a personagem principal, dedica um momento para interagir com as crianças no palco, convidando-as a explorar o cenário. Além disso, o espetáculo destaca a importância da inclusão de Libras para garantir a comunicação entre todos. 

“Chapeuzinho Azul” é uma releitura de “Chapeuzinho Vermelho” e  traz lições sobre a cultura surda, celebrando a inclusão e o respeito à diversidade cultural, além de promover reflexões sobre convivência e acessibilidade. A releitura abordou um universo que a maioria das pessoas nem percebe, mas que está ao seu lado. A acessibilidade e as dificuldades enfrentadas pelas pessoas surdas são o tema central da peça, que nos aproxima desse universo e nos conecta diretamente com ele. As lições e os aprendizados nos fazem refletir sobre a importância da acessibilidade e da comunicação entre ouvintes e não-ouvintes.

A narração de Grecy Kelly, que oferece a voz para os ouvintes, complementa a experiência, tornando a peça acessível a todos. Lyvia Cruz, atriz que interpretou a protagonista, comentou sobre a importância de ouvintes e não ouvintes aprenderem libras. “Certamente, os surdos têm sua própria língua e eles precisam aproximar os ouvintes da comunidade porque a LIBRAS é visual e oferece mais possibilidades de comunicação”, explicou. Ela acrescenta dizendo que a contação de história faz com que as crianças surdas se perguntem se aquilo está em sua língua, o que cria uma identificação muito maior e as emociona profundamente embora haja acessibilidade em português, a contação em Libras é altamente valorizada e fundamental. 

O ator Jonatas Medeiros é produtor das peças da Mostra Surda do Festival de Curitiba, que reúne 7 peças de diversos locais do Brasil. Medeiros também atua em uma destas produções e ressalta que as obras Chapeuzinho azul, Vozes silenciadas, Corpo Preto Surdo, Palhaça Mara, Ilíada em libras, Astronauta Mara e Movimento de Escuta  precisam envolver pessoas surdas, seja na produção, na direção ou no palco. Este é um dos critérios principais. “Tem que ter Língua de Sinais, esse é sempre o recorte crucial, e precisa ter pessoas surdas na equipe, isso traz uma proximidade, de alguma forma”, explicou Medeiros. Ele completa dizendo que as experiências de vida são diferentes, uma pessoa surda tem um pensamento, uma pessoa ouvinte tem outra, mas em uma mostra desse tamanho, em que, às vezes, as pessoas surdas se envolvem no processo de produção, essa convivência entre ambos, de certa forma, também surge desse processo.

SERVIÇO:

Gênero: Infantil

Hora: 10h

Data: 30/03

Tempo: 50 minutos

Colaboração: Alexandre Rodrigues, aluno Universidade Positivo com supervisão dos professores

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