Trump impõe tarifas a territórios remotos e desabitados; entenda

As amplas tarifas anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na quarta-feira (2), visam não apenas superpotências econômicas, mas também pequenos territórios financeiros.

Na verdade, uma lista da Casa Branca menciona alguns territórios sem economia e sem população.

Este é exatamente o caso das Ilhas Heard e McDonald, um território externo australiano no sul do Oceano Índico, que foi atingido com uma tarifa de 10%.

O CIA World Factbook descreve as ilhas desabitadas, listadas como Patrimônio Mundial da UNESCO, como “80% cobertas de gelo” e “desoladas” no caso da Ilha Heard, e as Ilhas McDonald como “pequenas” e “rochosas”.

A atividade econômica lá essencialmente terminou em 1877, quando o comércio de óleo de elefante-marinho foi encerrado e a população humana de caçadores de focas deixou as ilhas remotas, localizadas na rota entre Madagascar e a Antártida.

Outro território australiano alvo das tarifas são as Ilhas Cocos. Com uma população de 600 pessoas, o território envia 32% de suas exportações – navios – para os EUA, segundo o CIA Factbook. Agora enfrentam uma tarifa de 10%.

Do outro lado do planeta, a pequena ilha norueguesa e antiga estação baleeira de Jan Mayen enfrenta tarifas de 10%. Mas ninguém vive lá permanentemente (apenas alguns militares se revezam), e sua economia é zero, segundo o CIA Factbook, que a descreve como uma ilha “desolada e montanhosa”.

Existem outros lugares na lista de tarifas de Trump que também não são grandes potências econômicas, para dizer o mínimo. Tokelau é um território autoadministrado da Nova Zelândia, consistindo em três atóis no Oceano Pacífico Sul com uma população de cerca de 1.600 habitantes, segundo o CIA Factbook.

Tem uma economia de cerca de US$ 8 milhões e exportações de cerca de US$ 100.000, diz a CIA. Agora, também enfrenta tarifas de 10%.

Um enclave particularmente atingido pelas tarifas de Trump é Saint Pierre e Miquelon, um território francês de oito pequenas ilhas próximo à província canadense de Terra Nova.

Com uma população de cerca de 5.000 pessoas, é “o único vestígio remanescente das antigas vastas possessões norte-americanas da França”, diz o CIA Factbook.

Suas exportações – “crustáceos processados, mariscos”, segundo a CIA – estão agora sujeitas a uma enorme tarifa americana de 50%, muito mais do que a França enfrenta (20%) como parte da União Europeia.

O único lugar a enfrentar tarifas tão altas quanto Saint Pierre e Miquelon é Lesoto, um país de 2,2 milhões de pessoas cercado pela África do Sul. Atualmente envia 20% de suas exportações anuais de US$ 900 milhões – “diamantes, vestuário, lã, equipamentos de energia, roupas de cama”, diz a CIA – para os EUA.

Esses produtos agora enfrentarão tarifas de 50%. De certa forma, a administração Trump está atingindo lugares de alta importância para Washington e a segurança nacional dos EUA.

O Território Britânico do Oceano Índico enfrenta uma tarifa de 10%. É povoado apenas por cerca de 3.000 militares e contratados britânicos e americanos na base aérea de Diego Garcia.

O CIA Factbook lista peixes como sua principal exportação, mas não está claro quem faz a pesca (ou quem compra).

As Ilhas Marshall, um grupo de 34 atóis e ilhas no Pacífico Norte, abrigam 82.000 pessoas e uma instalação militar americana crucial, a Guarnição do Exército dos EUA em Kwajalein, que auxilia em testes e rastreamento de mísseis balísticos.

Washington é responsável pela defesa das Ilhas Marshall sob um Pacto de Livre Associação. A CIA diz que tem exportações de cerca de US$ 130 milhões por ano, embora os EUA não estejam listados como principal destino. Essas exportações agora enfrentam tarifas de 10% se vierem para os EUA.

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Este conteúdo foi originalmente publicado em Trump impõe tarifas a territórios remotos e desabitados; entenda no site CNN Brasil.

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