Tarifa de 10% preocupa exportadores paranaenses

Tarifa de 10% preocupa exportadores paranaenses

Os empresários do setor exportador do Paraná estão bastante preocupados com a tarifa de 10% anunciada ontem pelo Governo dos Estados Unidos. Eu conversei agora há pouco com o economista Gilmar Mendes Lourenço, e ele me informou que o Paraná possui no mercado norte-americano o seu terceiro maior parceiro comercial, que absorve quase 7% das exportações estaduais em dólares.

Quanto à pauta de exportações do Paraná para os Estados Unidos, ela é bastante concentrada, sendo que mais de 85% dos valores em dólares são provenientes da venda de madeira; máquinas e equipamentos; equipamentos elétricos; produtos químicos, papel e couros.

Na avaliação do economista, em um contexto tão complicado, caberá às autoridades políticas e lideranças empresariais do Estado o exercício de gestões junto ao governo federal no sentido de negociar com as autoridades americanas visando ao abrandamento ou até mesmo a retirada das alíquotas de importação.

Ao mesmo tempo, considerando que as principais economias do planeta reagirão ao tarifaço de Trump, e buscarão o desenvolvimento de novos mercados de origem e destino de produtos e serviços, principalmente China e demais asiáticos e União Europeia, Gilmar Lourenço chama a atenção para o fato de que o governo brasileiro deverá se empenhar para aproveitar a chance de maior diversificação da penetração do Brasil no front global.

Ainda, segundo me explicou o economista, o Paraná isoladamente pouco poderá fazer. Porém, terá que usar sua força exportadora na intermediação dos interesses de importantes e tradicionais componentes de seu setor produtivo no interior do executivo federal e no legislativo.

Entre os setores mais impactados aqui no Paraná com a tarifa de 10% está a indústria de base florestal. Como estão os negócios do setor madeireiro do Paraná com os Estados Unidos?

Grande parte da madeira que é utilizada pela construção civil norte-americana, entre elas compensado, madeira serrada e molduras de pinus, é importada do Brasil e o Paraná tem um peso enorme nesse contexto.

Segundo dados da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), cerca de 40% da madeira importada pelos Estados Unidos é proveniente do Paraná.

A Associação Paranaense de Empresas da Base Florestal teme que com o tarifaço, os custos acabem recaindo sobre a produção, tornando os produtos mais caros, o que é ruim para todos os envolvidos. Ou seja, com o aumento dos valores do produto final, o setor pode enfrentar redução na demanda de madeira, causando uma possível recessão e postergando investimentos.

Nesse sentido, a Associação defende a adoção de algumas medidas. A primeira é a mediação diplomática do Governo do Paraná, em nome da base florestal, com os Estados Unidos, em busca de condições mais favoráveis ou de algum tipo de isenção.

A segunda medida é buscar apoio de entidades e associações internacionais para estabelecer parcerias com associações globais do setor florestal para aumentar a pressão contra as tarifas.

Por último, solicitar aos Ministério da Agricultura e das Relações Exteriores que intervenham diplomaticamente junto aos Estados Unidos para negociar a redução ou até mesmo a isenção tarifária.

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