SC: MECA realiza nove dias de maratona cultural em Garopaba e região

Foram nove dias de festival em quatro cidades, 26 sessões de cinema em 17 locais de exibição. Foram 32 filmes, 15 rodas de conversa com convidados especialistas de diversas áreas, além de apresentações artísticas, exposições e oficinas, reunindo um público de mais de 1.500 pessoas de todas as idades. Esta foi a segunda Mostra Encantos de Cinema Ambiental (MECA). 

A Mostra passou por Garopaba, Imbituba, Laguna e Florianópolis entre os dias 21 e 29 de março, e emocionou o público exibindo filmes nacionais e internacionais, convidando os presentes a debater os desafios socioambientais contemporâneos, por meio de uma programação diversificada e inclusiva. Mais do que sessões de cinema, a Meca se consolidou como uma mini maratona cultural, uma vez que, além de filmes, abriu espaço para outras linguagens artísticas.

Acesso à cultura e à diversidade artística 

Durante a MECA 2025, foi possível encontrar os artistas como espectadores, conversar com os diretores dos filmes e entender um pouco mais sobre a arte que movimenta um mercado gigantesco na cena cultural. Mariana Baraj, cantora, percussionista, produtora e compositora argentina, esteve como espectadora e também no palco ao lado de Tiago Bra na segunda noite do evento. “Para mim foi uma experiência muito especial, amo o cinema e considero que sempre me conectou com coisas incríveis e mágicas. E a música também está muito presente no cinema”, contou a artista, indicada ao Grammy Latino em 2017.

“Muito feliz de ter visto trabalhos incríveis, que me emocionaram, porque são temas com os quais me sinto também muito afim. A minha música fala de todas essas temáticas. Muito feliz de poder fazer parte, já que sou uma nova integrante da comunidade”, agradeceu Mariana, que esteve em diversas sessões da MECA e se apresentou na noite de 22 de março.

Com sessões em locais variados, a MECA foi até o Mercado do Produtor de Garopaba, que exibiu a obra “Antes do Prato”, sobre a temática da agricultura familiar. “Sou filha de colono e aprecio muito esse trabalho que foi apresentado hoje, foi um imenso prazer que a associação abriu esse espaço para acontecer o evento aqui. Foi de suma importância mostrar as fontes e as origens dos alimentos, que reflete como é difícil a gente manter uma vida saudável e a agricultura familiar”, relatou a Presidente da Associação dos Produtores de Garopaba, Alicia Thorstenberg. 

Diálogos e educação para a sustentabilidade

A Mostra Encantos de Cinema Ambiental criou diversos espaços para o diálogo, como a roda de conversa na Casa de Cultura de Garopaba, na noite de 27 de março. Passando pela sessão, o diretor de teatro, ator e dramaturgo brasileiro Júlio Conte se uniu ao público da MECA. “Eu já estava interessado em conhecer a Casa de Cultura, porque eu acho que todas as cidades têm um lugar onde as coisas se renovam e se repensam. Passei aqui e resolvi assistir ao filme, um filme muito importante e que suscitou várias coisas que eu acabei comentando, que são relacionadas basicamente a toda a estrutura que leva ao esvaziamento, ao desgaste e esfacelamento do planeta”, contou. 

Julio participou ativamente na roda de conversa que tratou sobre o tema água, na presença do educador e pesquisador Jorge Rodrigues, do permacultor e cofundador do Instituto Canto das Águas Yuri Kuzniecow, do representante do Instituto Municipal de Meio Ambiente de Garopaba (IMAG) Mateus Melo, e que contou com mediação do curador da MECA Ricardo Braga. “Então, eu acho que lugares como esse, eventos como esse, são sensacionais, são essenciais para a preservação da vida inteligente no planeta Terra”, finalizou Conte, autor da peça Bailei na Curva, uma das mais importantes peças do teatro gaúcho de todos os tempos.

Democratização do acesso à arte

“A Mostra Encantos de Cinema Ambiental é de suma importância para que os nossos alunos tenham acesso a capital cultural. Por mais que eles estejam num lugar que é turístico, muitas vezes eles não têm acesso a teatros ou a filmes relevantes socialmente”, observou o professor Tiago Paz, docente do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) Câmpus Garopaba, que recebeu sessões de cinema e rodas de conversa em diversos dias durante a mostra.

“A gente tem aqui alguns cursos de computação, administração, e às vezes, quando a gente fala sobre meio ambiente, os alunos entendem isso como algo muito longe deles. E temos uma mega tendência, que era o nome do documentário que assistimos, que é a inteligência artificial. Os alunos estão todos usando o Chat GPT. E aí existe uma conexão muito forte que o Chat GPT usa GPUs, que são as placas de vídeo, que aquecem e precisam ser resfriadas. Isso tem impacto ambiental absurdo. Então, poder aproximar essa noção deles, para eles entenderem que a tecnologia pode ser usada para o bem, pode ajudá-los nas tarefas do dia-a-dia da escola, mas ela tem um impacto ambiental, que muitas vezes não é visto, é muito importante.” 

Além das sessões presenciais, a MECA exibiu 11 obras online durante os nove dias de festival, assistidas por centenas de pessoas. A MECA 2025 foi contemplada pelo Prêmio Catarinense de Cinema, Edição Especial Lei Paulo Gustavo/2023, com apoio da Fundação Catarinense de Cultura e Governo do Estado de Santa Catarina – reforçando o papel do evento enquanto promotor da cultura e da educação para temas socioambientais.

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