Líderes da Groenlândia criticam visita “altamente agressiva” dos EUA

Líderes da Groenlândia criticaram a viagem planejada por uma delegação dos Estados Unidos ao território dinamarquês semiautônomo que o presidente Donald Trump sugeriu que os EUA deveriam anexar.

O primeiro-ministro da Groenlândia, Mute B. Egede, considerou “altamente agressiva” a visita planejada à ilha por líderes americanos, em uma entrevista ao jornal Sermitsiaq, no domingo (23)

A delegação, que visitará uma base militar dos EUA e assistirá a uma corrida de trenós puxados por cães, será liderada por Usha Vance, esposa do vice-presidente JD Vance, e incluirá o assessor de segurança nacional da Casa Branca, Mike Waltz, e o secretário de Energia, Chris Wright.

Trump fez da anexação da Groenlândia pelos EUA um importante ponto de discussão desde que seu filho mais velho, Donald Trump Jr., fez uma visita particular à ilha, rica em minerais, em janeiro.

 

 

O premiê da Groenlândia classificou a visita da delegação, que vai desta quinta (26) a sábado (29), como uma “provocação” e disse que seu governo interino não se reuniria com ela.

“Até recentemente, podíamos confiar nos americanos, que eram nossos aliados e amigos, e com quem gostávamos de trabalhar em estreita colaboração”, disse Egede ao jornal local Sermitsiaq. “Mas esse tempo acabou.”

O governo da Groenlândia, Naalakkersuisut, está atualmente em uma fase de transição após a eleição parlamentar de 11 de março, vencida pelos democratas, um partido pró-negócios que favorece uma abordagem lenta para a independência da Dinamarca.

Jens-Frederik Nielsen, líder dos democratas, pediu unidade política e criticou o momento da visita durante as negociações de coalizão com eleições municipais previstas para a próxima semana.

“Não devemos ser forçados a entrar em um jogo de poder do qual nós mesmos não escolhemos fazer parte”, disse Nielsen nesta segunda-feira.

Brian Hughes, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, afirmou que a visita tem como objetivo “construir parcerias que respeitem a autodeterminação da Groenlândia e promovam a cooperação econômica”.

“Esta é uma visita para aprender sobre a Groenlândia, sua cultura, história e povo e para participar de uma corrida de trenós puxados por cães que os Estados Unidos têm orgulho de patrocinar”, disse Hughes.

Os governos da Groenlândia e da Dinamarca expressaram oposição a qualquer tomada de controle por parte dos EUA.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse em um comentário escrito reagindo à notícia da visita da delegação dos EUA que “isso é algo que levamos a sério”.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Líderes da Groenlândia criticam visita “altamente agressiva” dos EUA no site CNN Brasil.

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