Mortes em Gaza desde retomada de ataques passam de 1 mil, diz Hamas; Israel diz estar ‘fragmentando’ território

Exército israelense voltou a bombardear Faixa de Gaza há duas semanas, rompendo trégua entre os dois lados. No total, mais de 50 mil pessoas morreram no território por conta de bombardeios desde o início da guerra, em 2023, segundo governo local, controlado pelo Hamas. Desde que Israel retomou os bombardeios na Faixa de Gaza, há duas semanas, mais de 1.000 pessoas já morreram por conta dos bombardeios, disse nesta quinta-feira (3) o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.
sO primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou, nesta quarta-feira (2), que as forças armadas estão “fragmentando” Gaza e ocupando áreas para pressionar o Hamas a libertar os reféns mantidos em cativeiro no território palestino.
Após quase dois meses de trégua e com as negociações para estendê-la estagnadas, Israel retomou, em 18 de março, sua ofensiva aérea e, dias depois, a terrestre, contra o Hamas.
Nesta quarta, ataques israelenses mataram pelo menos 34 pessoas em Gaza, informou a Defesa Civil do território palestino.
O Exército está “fragmentando a Faixa de Gaza e aumentando a pressão pouco a pouco para que nos devolvam os reféns”, declarou Netanyahu, ao acrescentar que Israel “toma territórios, atinge terroristas e destrói infraestruturas”.
O líder israelense também informou que as forças armadas estão “tomando o controle do ‘Eixo Morag'”, uma faixa destinada a separar as cidades de Khan Yunis e Rafah, no sul do território.
O nome do eixo faz referência à antiga colônia judaica de Morag, desmantelada em 2005, quando o Exército israelense se retirou unilateralmente de Gaza.
Segundo a Defesa Civil da Faixa, um dos bombardeios israelenses desta quarta-feira matou 19 pessoas, entre elas nove crianças, em uma clínica da Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês) em Jabalia, no norte do território.
O Exército declarou que tinha atacado milicianos do Hamas “dentro de um centro de comando e controle” em Jabalia e confirmou em separado à AFP que o edifício abrigava uma clínica das Nações Unidas.
O Ministério das Relações Exteriores da Autoridade Palestina, com sede na Cisjordânia ocupada, condenou o “massacre” e pediu que haja “pressão internacional séria” para deter a ofensiva israelense.
Outras 13 pessoas morreram em ações israelenses contra residências na cidade de Khan Yunis e outras duas no campo de refugiados de Nuseirat (centro), segundo a Defesa Civil.
Ao menos 1.066 pessoas morreram em Gaza desde que a ofensiva israelense foi retomada, segundo o Ministério da Saúde do território, governado pelo Hamas.
– ‘Libertar os reféns’ -O Fórum das Famílias, a maior associação de familiares dos reféns sob poder do Hamas, se declarou “horrorizado” com o anúncio do governo israelense.
“Ao invés de libertar os reféns com um acordo e pôr fim à guerra, o governo israelense envia mais soldados para Gaza para combater nas mesmas áreas onde lutaram mais de uma vez”, assinalou.
Os países mediadores de ambas as partes – Catar, Egito e Estados Unidos – trabalham em um novo acordo de cessar-fogo que permita o retorno do restante dos reféns do Hamas.
Um alto dirigente do movimento islamista disse no sábado que o grupo havia aprovado uma nova proposta de trégua apresentada pelos mediadores e instou Israel a fazer o mesmo.
O gabinete de Netanyahu confirmou ter recebido a proposta dos mediadores e informou ter apresentado uma contraproposta. Os detalhes destas últimas manobras de mediação não foram revelados.
Mas o Hamas anunciou nesta quarta que “decidiu não responder à última proposta israelense apresentada por meio de mediadores”, declarou um dos responsáveis do grupo à AFP sob anonimato, acusando Israel de “obstruir uma proposta do Egito e do Catar e de tentar fazer o acordo descarrilar”.
Nesse contexto de forte tensão, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, de extrema direita, provocou nova polêmica nesta quarta-feira ao visitar a Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, o terceiro lugar mais sagrado do islã.
A visita suscitou a condenação não apenas do Hamas, mas também da vizinha Jordânia, que atua como guardiã do local sagrado, além do Catar e de outros governos.
Padarias fechadas
No domingo, Netanyahu ofereceu aos líderes do Hamas a possibilidade de deixar Gaza, sob a condição de que o grupo entregue as armas.
O movimento islamista declarou que poderia abrir mão de administrar Gaza após o conflito, mas se nega a depor as armas.
A guerra foi provocada pelos ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023, contra Israel, que deixaram 1.218 mortos, segundo um balanço baseado em dados israelenses.
A campanha de represália de Israel matou pelo menos 50.423 pessoas em Gaza, civis em sua maioria, de acordo com o Ministério da Saúde do território.
Para aumentar a pressão sobre o movimento islamista, Israel também bloqueia, desde 2 de março, a entrada de ajuda humanitária na já sitiada Gaza.
Algumas padarias fecharam pela falta de açúcar e farinha.
“Passei toda a manhã indo de padaria em padaria, mas estão todas fechadas”, disse à AFP Amina al Sayed na Cidade de Gaza.
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