Caso Vitória: Delegado explica como é feita reconstituição do crime

A reconstituição criminal, ou reprodução simulada dos fatos, é um procedimento crucial na investigação de crimes, visando verificar a compatibilidade entre os depoimentos colhidos e os elementos objetivos da cena do crime.

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A decisão de realizar a reconstituição no caso Vitória atende a um pedido da defesa da família da vítima, que considera essa etapa essencial para o esclarecimento dos fatos, especialmente diante das contradições apontadas na confissão de Maicol Sales do Santos, o único suspeito preso até o momento.

A reconstituição está marcada para o dia 10 de abril, às 9h.

Segundo o delegado Gustavo Mesquita, especialista em segurança pública, essa etapa exige técnica, método, respeito à ciência forense e compromisso com a Justiça. No caso da morte da jovem Vitória Regina de Sousa em Cajamar, a Polícia Civil anunciou que realizará a reconstituição do assassinato.

“Longe de ser um mero exercício teatral, ela é um procedimento rigoroso, técnico e controlado, capaz de lançar luz sobre os eventos que cercam um crime”, esclarece Mesquita, ex-coordenador do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil de Guarulhos.

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Planejamento

De acordo com o delegado Gustavo Mesquita, o planejamento da reconstituição é minucioso e estabelece data, horário, logística de segurança e isolamento do local. As partes envolvidas, como suspeitos, advogados, promotores e peritos, são comunicadas com antecedência.

“Um roteiro detalhado é elaborado com base em laudos e depoimentos, servindo como guia para a simulação, mas podendo ser ajustado conforme novas percepções”, afirma o delegado.

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No caso Vitória, uma das contradições levantadas diz respeito à alegação de Maicol de que teria matado Vitória dentro do veículo, logo após intercepta-la no caminho de volta para casa, após sair do trabalho. A reprodução simulada pode ajudar a esclarecer essa e outras inconsistências, bem como a participação ou não de outras pessoas.

“As versões apresentadas por investigados, vítimas ou testemunhas são confrontadas com provas materiais, como laudos periciais, marcas de sangue, trajetórias de disparos ou posicionamento dos corpos. É a ciência ajudando a Justiça a enxergar com precisão”, pondera Mesquita.

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Delegado explica reconstituição do caso Vitória

A Justiça de São Paulo vetou a obrigatoriedade da presença de Maicol dos Santos na reconstituição, acolhendo o pedido da defesa. O magistrado do caso argumentou que sua presença não é indispensável para o trabalho da polícia.

O delegado Mesquita explica que, quando uma das partes se recusa a participar, figurantes ou dublês assumem a simulação, sempre sob a supervisão das autoridades competentes.

“Cada passo da reconstituição é registrado por fotógrafos e cinegrafistas forenses, sob o olhar atento dos peritos criminais”, explica.

Ao final do procedimento, os peritos elaboram um laudo técnico que pode ser decisivo para os rumos da investigação, confirmando ou desmentindo versões e fornecendo subsídios para o Ministério Público e o juiz.

“Em tempos de julgamentos precipitados e sensacionalismo, a reconstituição criminal cumpre um papel crucial, que é resgatar a seriedade do processo investigativo, reafirmando que não há Justiça sem verdade, e não há verdade sem método. O compromisso com a apuração técnica dos fatos é o que separa o arbítrio da legalidade”, conclui Mesquita.

A reconstituição do caso Vitória busca, através de um procedimento técnico e rigoroso, lançar luz sobre a dinâmica do crime, confrontar as declarações do principal suspeito com as evidências encontradas.

Relembre o caso

O desaparecimento e a trágica morte de Vitória Regina de Sousa, uma jovem de 17 anos comoveu os moradores de Cajamar (SP). A história começou em 26 de fevereiro, quando a garota, após um dia de trabalho em um shopping local, pegou o ônibus de volta para casa.

Naquela noite, Vitória compartilhou mensagens de texto com uma amiga, expressando o medo que sentia ao perceber que estava sendo seguida por dois homens. Testemunhas relataram ter visto um automóvel com quatro homens seguindo a jovem depois que ela desceu do ônibus.

Após seu desaparecimento, a cidade se uniu em buscas incessantes. A polícia e os familiares, apoiados por diversos agentes, cães farejadores e drones, procuraram por Vitória em todos os cantos da região.

A angústia chegou ao fim em 5 de março, quando o corpo de Vitória foi encontrado em uma área de mata em Cajamar. O corpo da jovem estava em estado avançado de decomposição e apresentava sinais de violência. A jovem estava com a cabeça raspada e sem as roupas.

A Delegacia de Polícia de Cajamar assumiu a responsabilidade pela investigação, trabalhando com diversas hipóteses para o crime. Mais de 18 pessoas foram ouvidas e dois veículos foram apreendidos para perícia.

Veja imagens do sepultamento:

Este conteúdo foi originalmente publicado em Caso Vitória: Delegado explica como é feita reconstituição do crime no site CNN Brasil.

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