Líderes mundiais condenam tarifas de Trump e alguns prometem retaliação

Países de todo o mundo, incluindo alguns dos aliados mais próximos dos Estados Unidos, condenaram o anúncio de tarifas recíprocas feito pelo presidente Donald Trump e alguns prometeram contramedidas, ao mesmo tempo em que esperam que a Casa Branca esteja aberta a negociações.

A China pediu que os Estados Unidos cancelem imediatamente suas tarifas mais recentes e prometeu salvaguardar seus próprios interesses, ameaçando levar as maiores economias do mundo a uma guerra comercial que provavelmente afetará as cadeias de suprimentos globais.

“Esse não é o ato de um amigo”, disse o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, uma nação frequentemente descrita como o “xerife adjunto” dos Estados Unidos na Ásia. “As tarifas do governo (Trump) não têm base lógica e vão contra a base da parceria de nossas duas nações.”

Líderes de Japão, Nova Zelândia, Taiwan e Coreia do Sul, todos grandes aliados dos EUA na região, criticaram a medida de Trump. “Precisamos decidir o que é melhor para o Japão e o que é mais eficaz, de forma cuidadosa, mas ousada e rápida”, disse o ministro do Comércio, Yoji Muto, quando perguntado se o Japão iria retaliar.

Trump afirmou na quarta-feira que vai impor uma tarifa base de 10% sobre todas as importações para os EUA e taxas mais altas sobre dezenas de outros países.

Entre os aliados próximos dos EUA, o Japão foi atingido com uma taxa de 24%, a Coreia do Sul com 25%, Taiwan com 32% e a União Europeia com 20%. Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Arábia Saudita e a maior parte da América do Sul foram atingidos com o mínimo de 10%.

“As consequências serão terríveis para milhões de pessoas em todo o mundo”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. “Estamos prontos para responder e estamos preparando novos pacotes de medidas para proteger nossos interesses.”

Trump anunciou que a China será atingida com uma tarifa de 34%, além dos 20% que ele impôs no início deste ano, elevando o total das novas taxas para 54% e próximo do valor de 60% que ele havia ameaçado durante a campanha.

A medida dos EUA desconsidera o equilíbrio de interesses alcançado nas negociações comerciais multilaterais ao longo dos anos e o fato de que há muito tempo o país tem se beneficiado muito do comércio internacional, disse o Ministério do Comércio de Pequim em um comunicado.

“A China se opõe firmemente a isso”, declarou. “Não há vencedores em guerras comerciais e não há saída para o protecionismo.”

No entanto, vários líderes pressionaram por conversas com a Casa Branca, buscando isenções ou um recuo nas tarifas, enquanto von der Leyen disse que concordava com Trump que o sistema de comércio global tem “sérias deficiências”.

Sem novas tarifas para Canadá e México

Trump não está impondo sua nova taxa tarifária global de 10% sobre os importantes parceiros comerciais Canadá e México, enquanto sua ordem anterior permanece em vigor para tarifas de até 25% sobre muitos produtos dos dois países devido a questões de controle de fronteiras e tráfico de fentanil, disse a Casa Branca em um informativo.

“Vamos combater essas tarifas com contramedidas, vamos proteger nossos trabalhadores e vamos construir a economia mais forte do G7”, disse o primeiro-ministro canadense, Mark Carney.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou na quarta-feira que o México não iria buscar uma ação retaliatória sobre as tarifas, mas sim anunciar um “programa abrangente” nesta quinta-feira.

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