Padarias fecham em Gaza e ONU alerta que alimentos durarão só semanas

Autoridades de Gaza informaram que todas as padarias do território palestino fecharam devido à grave falta de combustível e farinha causada pelo bloqueio de ajuda humanitária de Israel.

“A ocupação forçou todas as padarias a fecharem completamente, exacerbando a crise de fome que ameaça as vidas de civis inocentes, particularmente crianças, pacientes e idosos”, comunicou o Escritório de Mídia do Governo controlado pelo Hamas em Gaza na terça-feira (1º).

O o chefe da Associação de Proprietários de Padarias do território, Abdel Nasser Al-Ajrami, disse que os fechamentos provavelmente vão acelerar o crescimento da fome na Faixa de Gaza.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas relatou que todas as 25 padarias no território fecharam por causa da falta de farinha e combustível.

“As refeições quentes continuam, mas os suprimentos durarão duas semanas. A agência da ONU distribuirá seus últimos pacotes de alimentos nos próximos dois dias”, anunciou Abeer Etefa, oficial de comunicações do PMA para o Oriente Médio, Norte da África e Leste Europeu.

Um palestino contou à CNN que a família já tem sofrido com os impactos dos fechamentos. Segundo ele, os filhos sentem enjoos e estão exaustos por causa da falta de comida.

“Fui a todas as padarias. Toda vez que perguntamos, eles dizem que não há farinha devido ao fechamento das travessias. Os israelenses controlam as entradas. Não sabemos para onde ir”, disse Abdul Rahman Fattayeh.

Ibrahim al-Kurd, outro morador de Gaza, relatou à CNN que a situação era “extremamente difícil, além da explicação”.

“Tenho 40 familiares e estou procurando pão para eles desde as 8 da manhã, percorrendo todas as padarias em Deir al-Balah. Nenhuma está funcionando”, falou al-Kurd. “Não há farinha, nem lenha, nada. Nem mesmo água. É terrível”, acrescentou.


Mulheres e crianças vasculham lixo em busca de comida em Gaza, diz ONU
Mulheres e crianças vasculham lixo em busca de comida em Gaza, diz ONU • Reuters

Ajuda humanitária bloqueada

O governo israelense cortou o fornecimento de alimentos e outras ajudas humanitárias para Gaza no início de março, em uma tentativa de pressionar o Hamas a libertar mais reféns e impor novas condições para a extensão do cessar-fogo.

Nenhuma ajuda entrou no território por mais de três semanas. Segundo o chefe da agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA), este é o maior tempo em que Gaza ficou sem suprimentos desde o início da guerra.

“Durante o cessar-fogo, entre 500 e 600 caminhões chegavam diariamente. Agora, nada”, informou Philippe Lazzarini, comissário-geral da UNRWA, na semana passada.

O bloqueio também atingiu fortemente os suprimentos de medicamentos essenciais na Faixa de Gaza. Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertam que agora os remédios estão em falta ou acabando.

A organização humanitária informou em comunicado nesta terça quarta-feira (2) que começou a racionar medicamentos como analgésicos, e as equipes estão ficando sem anestésicos, antibióticos infantis e medicamentos para tratar doenças crônicas como epilepsia, hipertensão e diabetes.

A entidade também afirmou que a falta de medicamentos pode levar a uma infinidade de complicações de saúde e muitas mortes.

O diretor da Rede de Organizações Não Governamentais Palestinas, Amjad Al-Shawa, descreveu o último bloqueio como a pior crise humanitária desde o início da guerra. Ele também alertou que o fechamento de padarias impactaria “centenas de milhares de pessoas” que dependem delas para alimentação.

“Os próximos dias serão muito críticos para as vidas e a saúde dos palestinos em Gaza, principalmente crianças, mulheres e idosos”, comentou Al-Shawa na terça-feira (1°), pedindo à comunidade internacional que pressione Israel a reabrir as travessias.

A CNN entrou em contato com a COGAT, a agência israelense responsável por permitir que a ajuda entre em Gaza, para obter uma resposta às alegações.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Padarias fecham em Gaza e ONU alerta que alimentos durarão só semanas no site CNN Brasil.

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